Como essa semana falei sobre a indisciplina em sala de aula, achei esse artigo na internet nesse site:http://www.ceped.ueg.br/anais/IIedipe/pdfs/propostas_pedagogicas_para.pdf muito interessante.
Propostas pedagógicas para indisciplina em sala de aula
BRETTA, Lívia Cristina
160
BUENO, Ivonete
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A indisciplina em sala de aula é uma temática que necessita ser estudada e discutida, pois ela
representa
um fenômeno moderno, polêmico e considerado um dos principais obstáculos da educação por alguns estudiosos
deste tema. A presente comunicação tem como objetivo analisar as possíveis causas da indisciplina em sala
de aula de acordo com a crença da professora e dos alunos e apontar perspectivas pedagógicas para esta questão.
Essa pesquisa é de natureza qualitativa e de base teórico-empírica. Os participantes são uma professora e
trinta alunos do 4° ano do Ensino Fundamental de uma escola púlica da cidade de Anáolis-GO. Este estudo
estáfundamentado teoricamente pelos estudos dos autores Aquino (1996); Ferrari (2005); Piaget (1994); Rego
(1996); Vasconcellos (1994), entre outros autores que problematizam questõs de indisciplina em sala de aula.
O corpus da pesquisa constitui-se da aplicaçã de um questionáio destinado aos alunos e àprofessora. A anáise
dos questionáios permitiu-nos compreender a crenç (Barcelos, 2006) da professora e dos alunos a respeito
da indisciplina bem como apresentar propostas pedagóicas que minimizem esse problema.
PALAVRAS-CHAVE:
Alunos. Professora. Indisciplina. Sala de Aula.
Introdução
Esta pesquisa surgiu da preocupação em compreender as razões da indisciplina em sala de aula, visto
que, muitos professores temem assumir uma classe, devido o mau comportamento dos alunos. Acredita-se que
esse estudo pode ser relevante na medida em que trouxe a análise das crenças a partir das teorias, permitindo
assim, que os interessados na temática, reflitam sobre suas próprias crenças. A presente pesquisa configura-se
a partir dos seguintes objetivos: pontuar causas da indisciplina conforme a crença da professora e dos alunos e
apontar práticas pedagógicas que visem minimizar o problema.
Assim, este artigo organiza-se da seguinte maneira: a princípio tem-se o aporte teórico, em seguida
expõe-se a metodologia empregada para o estudo desenvolvido, depois é realizada a análise dos resultados
obtidos até o presente momento, visto que, a pesquisa está em andamento e, finalmente apresenta-se as conclusões
que puderam ser alcançadas até o momento.
Aporte teórico
Passos (1996) assinala que a indisciplina está firme no cotidiano escolar. Sendo um problema escolar
cabe a essa instituição ensinar a disciplina como qualquer outro conteúdo afirma Macedo (2005). Piaget (1994)
fala também sobre o ensino da disciplina, visando à construção desse comportamento. Nunes (2006) compreende
que o ambiente familiar influencia no comportamento do sujeito. Rego (1996) compartilha dessa mesma
visão acrescentando a ela o ambiente escolar.
160 Graduanda em Pedagogia da Universidade Estadual de goiás - UEG
161 Orientadora Professora Mestre da Universidade Estadual de goiás - UEG
Aquino (1996) assevera não ser possível apontar uma e outra instituição como responsáveis pela indisciplina
porque ela se configura um fenômeno transversal às unidades conceituais: professor/aluno/escola,
quando tomadas isoladamente. Para Vasconcellos (1994), um comportamento indisciplinado é qualquer ato ou
omissão que vai de encontro aos princípios do regulamento interno ou regras básicas estabelecidas pela escola,
pelo professor ou pela comunidade. Todavia, ir contra a indisciplina à base humilhação, esta ao invés de prevenir
delitos, os promove. A saída é reforçar no aluno, o sentimento de sua dignidade como ser moral. (TAILLE,
1996).
Metodologia
Este trabalho é de caráter teórico-empírico e descritivo-interpretativo, o mesmo tomará a indisciplina
como objeto de estudo e os informantes (professora e alunos) como sujeitos. Os sujeitos desta pesquisa são uma
professora e trinta alunos do 4° ano do Ensino Fundamental de uma escola púlica da cidade de Anáolis-GO.
Neste estudo, optamos pelo questionáio como instrumento de coleta de dados. Como essa pesquisa
encontra-se em fase de desenvolvimento, nos centramos na anáise de apenas uma questã a qual considerouse
abrangente por desvelar a crenç do que seja indisciplina.
Apresentação e análise dos dados
A seguir organizou-se em tabela uma questão bem como as respostas
162 dos alunos163 acerca do conceito
de indisciplina. Em seguida, apresentou-se em gráfico os resultados quantitativos e finalmente realizou-se
análise desses dados à luz das teorias. Algumas respostas dos questionários aplicados à professora também
foram analisadas no decorrer deste estudo.
1. O que é indisciplina para você?
Primeiro Grupo:
Bagunça
Aluno A:
A indisciplina para mim e quando uma pessoa não faz tarefa na sala de aula briga quando chinga
outro quando grita.
Aluno B
: Bagunça, brigar, chingar.
Aluno C:
Bagunça professora manda senta e eles não obedecem.
Aluno D
: Roubar, brigar, fazer baguça.
Aluno E:
Par min indiciplina e brigar comversar na sala
162 As respostas foram transcritas com fidelidade o que justifica os equívocos ortográficos, de concordância verbal e nominal, de acentuação e de
pontuação.
163 Para preservar a identidade dos sujeitos colaboradores da pesquisa os alunos foram denominados por letras do alfabeto e não foi colocado o nome
da professora.
Aluno F:
Baguça.
Aluno G:
Er fazer bagumsa derubar as coisas gritar etc.
Aluno H:
Baqusa, não fazertarefa
Aluno I:
Barulho, bagunsa e correria em sala de aula
Aluno J:
Indisciplina e baguça e brigar e grita e fazer barui.
Aluno L:
guando conversa e guando faez, bagunça na sala de aula
Segundo Grupo:
Depredação
Aluno A:
E bagumça de briga-jogar papel-rancas as massinhas dos vidros das Escola.
Aluno B:
Enão respeita a professora e bater nos colegas joga lixo no meio da sala de aula rabiscar o cadro
derrubar as cateira ficar ameaçandor os colegas e querendo entrar nas conversas dos colegas.
Terceiro Grupo:
Descumprimento de normas
Aluno A:
e indisciplina e comversa auto e levata toda ora e grita toda ora e xiga
Aluno B:
R: Teimar levantar todas as horas, não respeitas a professora lancha na hora errada
Os alunos do primeiro grupo, representando 74% possuem a crença de que indisciplina significa
bagunça
. Já o segundo grupo 13% entende como depredação. O terceiro grupo assinala como descumprimento
de normas.
74%
13%
13%
Bagunça
Depredação
Descumprimento de
Normas
FIGURA 1
Nos depoimentos do primeiro grupo é possível observar que a indisciplina pode ser compreendida
como:
briga, xingamento, conversa roubo, gritos, desobediência com ênfase à bagunça e à briga. Geralmente
é essa a tradução de indisciplina para o meio educacional.
Na crença dos alunos A e H indisciplina significa
não fazer tarefa.
Aluno A:
A indisciplina para mim e quando uma pessoa não faz tarefa na sala de aula briga quando
chinga outro quando grita.
Aluno H:
Baqusa, não fazertarefa
Compreende-se que para os alunos o fato de não se realizar as atividades propostas em si não gera
problemas indisciplinares. Esses desencadeiam a partir do momento em que o aluno deixa de fazer a tarefa e
interfere negativamente no andamento da aula.
Dessa forma, o aluno que não realiza os deveres torna-se um problema para a classe, visto que além de
prejudicar a ele próprio, interfere no processo de aprendizagem dos demais discentes, resultando em desrespeito
por si e pelo outro.
Vale ressaltar que não adianta obrigar o aluno a respeitar o colega. A imposição do respeito bem como
de outros valores, além de regras não levam a criança a construir atitudes morais. Somente a cooperação progressiva,
a levarão a entender o verdadeiro valor de tais regras no estabelecimento de relações. (Piaget, 1994).
Para a professora indisciplina possui dois significados: a falta de participação dos alunos nas aulas e agressão
verbal ou física:
Professora: A indisciplina ocorre quando alunos não conseguem participar das aulas; agressão
verbal ou física com professor, colegas e funcionários da escola.
Nessa perspectiva Vasconcellos (1994), entende que indisciplina é qualquer ato ou omissão que vai
de encontro aos princípios do regulamento interno ou regras básicas estabelecidas pela escola, pelo professor
ou pela comunidade. Na crença dos alunos do segundo grupo indisciplina parece ser sinônimo de depredação.
Pode-se dizer que essa abordagem se refere a negação da ordem, o aluno B, afirma:
Enão respeita a professora e bater nos colegas joga lixo no meio da sala de aula rabiscar o cadro
derrubar as cateira ficar ameaçandor os colegas e querendo entrar nas conversas dos colegas.
O aluno que age dessa maneira é rebelde, indiferente e sem limites. Sabemos que com a referida desordem
torna-se impossível alcançar o objetivo do ensino e da aprendizagem e esse precisa ser concretizado,
pois, “o acesso pleno àeducaçã ésem dúida, o passaporte mais seguro da cidadania, para alé de uma sobrevivêcia
míima, àmercêdo destino, da fatalidade enfim.” (AQUINO, 1996, p. 48). Para o terceiro grupo
de alunos, levantar, gritar e lanchar na hora errada éindisciplina. Ou seja, desobediêcia à regras.
Torna-se necessáio negociar à regras entre alunos e professora. Aquino (1996) orienta que precisa
haver clareza e fidelidade à regras estabelecidas, alé de flexibilidade para mudançs, visto que o aluno
obriga os professores a repensarem suas práicas. Observadas as crençs a respeito do que seja indisciplina,
questionamos professora se ela acredita que se pode ensinar a disciplina. Ao que ela respondeu:
Acredito que a disciplina pode ser ensinada, primeiramente pelos pais ou responsáveis (em casa), pois
são eles a base que pode estruturar a personalidade dos indivíduos, no caso os alunos.
Para Macedo (2005) a disciplina é como qualquer outra competência escolar deve ser ensinada pelo
professor e não pela família como a professora acredita. Observa-se que a professora compartilha da visão de
Nunes (2006), para esse autor o ambiente familiar constitui o berço do ensino/aprendizagem, onde o sujeito
pode ser influenciado negativa ou positivamente.
Algumas considerações
Neste trabalho investigou-se sobre o conceito de indisciplina de acordo com as crenças da professora e
dos alunos e na visão dos autores. Puderam-se perceber alguns dos motivos que geram indisciplina: não fazer
tarefa e conversar na aula. Até o presente momento propõem-se algumas medidas pedagógicas que podem
ajudar a minimizar problemas de indisciplina em sala de aula.
De antemão afirma-se que não se pode lutar contra a indisciplina à base humilhação, esta ao invés
minimizar o fenômeno
, o acentua. Um dos caminhos seria é reforçar no aluno, o sentimento de sua dignidade
como ser moral. (TAILLE, 1996). Com vistas a manejar a indisciplina, é preciso rever os vínculos da relação
professor e aluno, sobretudo a maneira que um se posiciona perante o outro, relações de respeito, afeto, compromisso
social. (AQUINO, 1996).
Referências Bibliográficas
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In:_____.
Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.
GARBUIO, Luciene Maria. Crenças sobre a língua que ensino: foco na competência implícita do professor de
língua estrangeira. In: ABRHÃO, Maria Helena Vieira. BARCELOS, Ana Maria Ferreira (Orgs). Crenças e
Ensino de Línguas. Campinas, SP: Pontes Editores, 2006.
MACEDO, Lino de. Disciplina é um conteúdo como qualquer outro.
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NUNES, Alberto. Indisciplina na Sala de Aula- Uma reflexão a partir da realidade. [online] Disponível na
Internet via www.
URL:http://www.google.com.br/search
PASSOS, Laurizete Ferragut. A indisciplina e o cotidiano escolar: novas abordagens, novos significados. In:
AQUINO, Júlio Groppa.
Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.
PIAGET, Jean. A coação adulta e o realismo moral. In: ____.
O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus,
1994.
REGO, Teresa Cristina. A indisciplina e o processo educativo: uma análise na perspectiva vygotskiana. In:
AQUINO, Júlio Groppa. (Org.)
Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus,
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TAILLE, Yves de La. A indisciplina e o sentimento de vergonha. In: AQUINO, Júlio Groppa. (Org.)
Indisciplina
na escola: alternativas teóricas e práticas
. São Paulo: Summus, 1996.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos.
Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de
aula e na escola. São Paulo: Libertad, 1994.